domingo, 18 de janeiro de 2009

Devaneios


Apesar de fazer parte dos nomes do cantinho superior direito, a verdade é que ainda não participei aqui directamente e, por isso, escrevo hoje para a população mariense, que precisa de ser ouvida e, sobretudo, compreendida. Desde já aviso previamente que este meu desabafo não é para dar palmadinhas nas costas de ninguém, nem para criticar tudo negativamente. Se o meio-termo existe, existe por alguma razão e, no fundo de tudo isto, a minha opinião não passa de uma simples e mera opinião.

Em primeiro lugar, acho que devo começar por uma breve descrição do que realmente somos, para podermos ir percebendo onde quero chegar. O povo tipicamente mariense, por norma, está descontente. Somos uma ilha pequena, temos muitos problemas, não há desenvolvimento e por aí adiante, são as mais frequentes afirmações de todos nós (à qual eu não sou excepção). Se pensamos construir uma determinada coisa, é porque só vamos construir essa determinada coisa. Se não construímos uma determinada coisa, é porque nem essa determinada coisa construímos.

Quem sou eu para dar palpites? Uns irão simplesmente ver, outros irão olhar e muitos não irão compreender o que sinto cá por dentro. Às vezes é bom deambularmos pelo mundo para encontrarmos nele a beleza que está sempre ao nosso alcance, mas que nós nunca a conseguimos atingir. É fácil, basta encararmos a vida como algo um pouco de mais positivo e com um sorriso na cara, que é uma fantástica característica da nossa população.

Enquanto escrevo isto, penso que nós somos uns idiotas por desvalorizarmos o que temos. Queremos sempre mais e essa insatisfação é o que nos faz progredir. Mas porque não olhar em redor e deixarmo-nos levar pelas sensações que sempre nos escapam nesta ilha tão única e maravilhosa? Eu deixo-me levar pelo sopro do Vento, porque sei que, provavelmente, não irei encontrar Vento igual no restante percurso que tenho pela frente. Sinto que Santa Maria tem um grande potencial e muito para dar, mas isso só se verificará quando nós nos capacitarmos que não podemos querer mais do que nos é possível ter.

Na minha opinião, um blog como este despertou o interesse para outro tipo de problemas e assuntos no nosso meio envolvente e, melhor ainda, levou ao debate desses mesmos assuntos por todos os interessados e motivados pela matéria. Neste blog as opiniões são livres, não há censura, mas sim um reflexo do sentimento de um povo com características muito específicas. É de referir o facto de muitos posts que foram aqui deixados pelo administrador (Marco Coelho) identificarem problemas na nossa ilha que foram minimizados simplesmente por ele ter “enviado” um alerta online que sensibiliza a maioria de todos nós. Por outro lado, aqui não existem só juízos negativos, pois equiparam-se os posts onde se elogiam pessoas, instituições e outro tipo de projectos abraçados por pessoas da nossa ilha.

A alguns meses da minha partida, já começo a sentir saudades de uma terra que me viu crescer e que, com muita pena minha, após essa partida, não passará do meu sempre e esperado destino de férias. Somos cerca de 5500 habitantes e são poucos os que se destacam pela sua dinâmica e criatividade. Os que se destacam, destacam-se porque envolvem-se em todas as poucas coisas que vão surgindo e provam que realmente querem ver Santa Maria crescer. Em relação aos outros, espero não ter que ouvir “não há nada nesta ilha, não se faz nada pela ilha”, porque isto deve começar de cada um de nós, participando naquilo que, primeiramente, nos é possível, para tentarmos envolver a nossa ilha numa aposta de desenvolvimento diferente.

Por tudo isto, decidi partilhar este meu pensamento que me tem vindo a perseguir há algum tempo. Aceitem-no e reflictam nele, para que me possa orgulhar ainda mais do sítio a que chamarei sempre casa.

Helenita.